Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

o funcionamento de certa indústria













«O ministro da Economia visita esta tarde a Oliveira & Irmão (OLI), principal produtor europeu de autoclismos, que emprega 350 pessoas e fechou 2011 com uma facturação de 44,2 milhões de euros, 72% dos quais nas exportações.»
Esta notícia permitiu que um ministro entrasse neste blog com tradição ligada a tudo o que é autoclismo e ao seu funcionamento. Este termo determinou o nome do blog.

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

A precisão da crueldade


















O que me agrada na guilhotina que comprei é a precisão do corte. Mas o seu funcionamento não admite hesitações ao descer a alavanca, caso contrário as folhas de papel podem ficar mastigadas e tortas. É preciso decidir e actuar com firmeza, fazer descer a alavanca com energia para se ouvir aquela pancada seca, garantia de sucesso.
Agora o x-ato vai descansar de certos tipos de corte, imprecisos, com inveja da guilhotina que o suplantou em eficácia.
Foi essa eficácia que me fez perder a cabeça e andar por aí à procura da mais adequada com uma boa relação qualidade/preço.


PS - Intencionalmente não refiro a precisão da crueldade noutras guilhotinas.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

pequeno tratado de gramática



















Para entender um povo é preciso entender-lhe a gramática, ver como ele trata a substância, de que cores a pinta, o que faz com ela quando o sol nasce e quando a noite vem. Nos dias frios, nas noites sonâmbulas.
Em que fase da lua se opera a sintaxe da oferta das flores a quem se ama?

A gramática é a regulação da vida, é o exercício do poder.
A gramática são as normas instituídas pelo estado que determina comportamentos previsíveis.

Para entender um povo é preciso descrever o modo como conjuga os verbos, se é perdulário no uso das mais ínfimas partículas de ligação ou se armazena intenções no corpo das palavras – articulações de nomes, parentescos e pertenças, sofrimentos silenciados.


Mas sem desafiar e transgredir as normas não pode crescer e arar a terra com os movimentos ritmados que se diluem no futuro.





Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

série Help, 1



















Imagem publicada em Amadeu Baptista . (série Help, 1)

Sábado, Novembro 26, 2011

certas hortas de Lisboa










clicar na imagem



O que encanta é a coexistência destes dois sinais no passeio pelas hortas, em frente do megalito. A Câmara de Lisboa proporcionou e ordenou o espaço das duas culturas, com a couve galega a rir-se do consumismo, numa aproximação tardia, mas sempre a tempo, a tornar realidade sonhos antigos de Gonçalo ao lado de projectos de Belmiro.

Duvido que esta zona seja periférica A beleza e o sabor da tranquilidade em manhã de sol vivem nesta incerteza.

Terça-feira, Novembro 01, 2011

o porquinho e as salsichas


video
Muita gente quer a vida assim, com esta ligeireza, com um processamento rápido que se substitui à maturidade. É esta ganância imediatista que nos trama.


E na literatura é a mesma coisa, sem ao menos um tempinho no fumeiro.

Domingo, Outubro 30, 2011

ainda a propósito, funciona sempre














fotografia de Fernando Lemos

(...)

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

(Feira Cabisbaixa)

Quinta-feira, Setembro 22, 2011

RUI LAGE: Um arraial de poesia num Portugal profundo













JÁ PASSOU A PROCISSÃO

Descamam as telhas sob o sol
punitivo, zunem fios de alta tensão,
a pele do empedrado tremeluz
(pois é lá que tudo ondula).

No pátio salivam mangueiras
de abraço constritor, a canícula
ferve cascas de melancia, brilham
botijas de gás no xisto mendicante.

Nas escadas alinhados
quais peças de artilharia,
um por degrau refulgem,
entre os versos,
os instrumentos da filarmónica.

No ouro da tuba cabe o reflexo
do velho cão de companhia,
a gata reluz tubular
na esguia prata do clarinete.

Depostas sobre a toalha
as boinas brasonadas
e de húmidos círculos estampado
o sovaco das camisas,
oponíveis polegares calejam
copos de tinto em formatura

e não te é dada permissão
para vestires blusa mais fresca,
não venha teu seio chamar-se
um figo sobre a mesa.

(Um Arraial Português, 2011)




Aqui está um funcionamento de certas sátiras que se oneilam para bem e ainda bem.

Quarta-feira, Setembro 07, 2011

Camilo Castelo Branco mandado às urtigas





funcionamento da exclusão do escritor dos programas do ensino secundário:

Terá sido pelos amores e perdições? Terá sido pela universalidade? Terá sido pela incapacidade de escolher as suas obras, contextualizando-as e caracterizando um passado histórico que nos antecede e enforma?




(...)
O leitor urbano mal imagina como são estes pais e maridos rurais quando lhes morrem as filhas ou as mulheres. Os mais lúgubres, se estão seis horas no forçado jejum a que os obriga a funeral lareira apagada, começam a cair num sentimentalismo de burros com fome. Nunca vi uma lágrima luzir nestas caras. Às vezes, morrem mães que deixaram um grupo de crianças ali a chorar num canto da cozinha. Os viúvos olham para os pequeninos de través, e ralham-lhes brutalmente. A estupidez é mais valente que a morte. Se falta a luz que adelgaça e rompe a treva do homem bárbaro, à mistura com a velhacaria que a civilização lhe tem dado, o cérebro e o coração são umas empadas de massa inerte, umas substâncias granulosas ou fibrosas contidas em sacos membranosos. Não há nada mais bestial que o homem sem a alma que se faz na educação. (...)



"Maria Moisés", Novelas do Minho


(crédito de imagem da cadeira de CCB - cercarte.blogspot.com)


Segunda-feira, Agosto 08, 2011

poetas: o seu a seu dono














A salvação da rima


pior guardar os livros que os ler
melhor abrir as alas que as ter
e só alar as cabras ao nascer

comem jornal, película de filme,
entrelaçam histórias de roer
cabras satíricas fartas de foder

as palavras, sempre as mesmas
organizadas de maneira diferente
nos livros abertos de repente

e todavia as páginas, os versos
corridos por não serem guarnecidos
por peles que os cornos e o cu tecem

acentos e verbos que aborrecem
quem se fartou de ler títulos soltos
nas metáforas jogadas a granel

na noite silenciosa sem chover,
ruídos a roçar versos na pele
com sílabas amarradas ao poder

de rimar por distracção ou desfastio,
fazendo de conta que são leis
prolongando fim sonoro nos papéis

no jogo do encontrão a tapar página
tapas de melão a cobrir vinho
e garrafas vazias no caminho

mas o que salva tudo é uma lágrima
nos ataques de solidão servida fria
com a televisão acesa todo o dia



Jogar é preciso


Sem grandes inquietações
nos livros que nunca lê,
sem angústias pr’a jantar
mija sem saber porquê


regista o totoloto
para ganhar a esperança
de pagar contas de gás,
e lê no tarot a vitória
de um gajo que é incapaz
de adivinhar o futuro
numa data de cerveja

numa conversa de chacha
de pasmaceira ao relento
não diz coisa que se veja

Sem grandes inquietações
na noite desconsolada
sem angústias pr’a jantar
mija sem ser por nada





Estes meus poemas aparecem publicados na Revista "Foro das Letras" (da Associação Portuguesa de Escritores-Juristas) atribuídos a Fernando Guimarães, poeta e crítico que admiro. Ele não deve ter ficado muito satisfeito com este lapso na organização da antologia. Nem eu. O seu a seu dono. Como se não bastasse, em outro lapso da mesma revista, aparece a minha biografia atribuída a outro poeta.


Resumindo: limparam-me o nome, atribuíram os meus poemas a outro, e ainda a outro deram-lhe a minha nota biográfica.


Domingo, Abril 17, 2011

Há sempre uns que pisam os outros



















Montagem AF


O Facebook tem-se sobreposto ao Blogger. Aqui. Mas certas coisas funcionam assim.

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2011

funcionamento do Ford T













“Two generations of Americans knew more about the Ford coil than the clitoris, about the planetary system of gears than the solar system of stars. With the Model T, part of the concept of private property disappeared. Pliers ceased to be privately owned and a tire pump belonged to the last man who had picked it up. Most of the babies of the period were conceived in Model T Fords and not a few were born in them.”

John Steinbeck, Cannery Row

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2011

sabotagem



















Movidos pela raiva, ódio e incompreensão de que uma nova época estava surgindo e que o tear de Jacquard era o prenúncio dessa era de automação, os inconformados tecelões franceses tentavam boicotar o trabalho de Jacquard e para tanto, jogavam seus tamancos de madeira nas máquinas em funcionamento de modo que engripavam e paralizavam as máquinas.
Os tamancos dos tecelões franceses eram chamados de “sabot” donde surgiu o termo “sabotagem” como indicativo de uma tentativa de destruir ou prejudicar o trabalho de outros.


(Transcrito de um site brasileiro de que agora já não me lembro)
Nota- Repare-se que o tear de Jacquard (1804) tem um sofisticado sistema de cartão perfurado, precursor do computador

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011

Meu Reino Por Um Cavalo


Meu Reino Por Um Cavalo

Meu reino por um cavalo* é um conjunto de vinte e um poemas elaborados a partir de versos de vinte e um poetas. Partindo de “Quero um cavalo de várias cores…”, de Reinaldo Ferreira, são glosados versos de outros poetas, Vitorino Nemésio, Natália Correia, Herberto Hélder, Miguel Torga, Assis Pacheco, Sophia de Melo Breyner, entre outros.

Os poemas, que permitem múltiplas abordagens para as várias idades do universo escolar, têm como objectivo familiarizar, desde muito cedo, os alunos leitores com grandes nomes da poesia portuguesa.

As excelentes ilustrações de Rui Castro criam uma complementaridade de autoria entre ilustração e texto. O livro contém ainda um conjunto de breves notas biográficas dos poetas, a partir das quais os leitores poderão explorar a sua curiosidade.

* título que reproduz as últimas palavras de Ricardo III, na respectiva peça de Shakespeare

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

elo de desligação

aqui foi referida a publicidade dos cashconverters.
E volto a ela porque a empresa prossegue no seu trabalho de comprar e vender coisas usadas.
Estou convencido que além desta aliança da imagem também lá deve estar o marido.
É ir lá perguntar. Depois agradecia que me dissesem qualquer coisa.




Esta aliança funciona como um elo de desligação.

Terça-feira, Novembro 16, 2010

Livro - artigo descontinuado

























Telefonei para uma editora do grupo Leya a pedir um determinado livro que não encontrava nas livrarias. Em vez de me responderem que o livro esava esgotado e não seria reeditado, disseram-me que esse livro era um artigo descontinuado.

Sábado, Outubro 09, 2010

o funcionamento dos lugares de Amadeu Baptista


















(...)


Há uma zona em que o leito do rio está seco,


e vejo-te, Nuno, com a pá de madeira à procura


de crustáceos e moluscos, tens umas calças compridas,


estou eu de calções, e enchemos o olhar de búzios miúdos,


com espirais de madrepérola, reúne-se a magia ao real


e essa é a surpresa, poder no lodo descobrir centelhas


de diamante, e guardá-las nos bolsos


- dividimos o saque sob as copas das árvores, o que temos


retalha-se em ínfimos fragmentos, nem saque é, mas espólio


onde se incrustam feitiços, palavras, só palavras e resquícios de memória


sob a linha de guindastes na barra de Leixões,


os jacarandás em flor no horizonte,


a crista de clarabóias a sitiar a cidade,


acrescentando-a,


tomando o ar odores a baunilha e a hulha,


a sangue derramado,


a menarcas de mar


(...)



O difícil foi escolher uma passagem deste livro para colocar aqui no blog. Felizmente que não é um blog literário, é este bricabraque do costume. Tal como a apreciação de Nuno Dempster eu sou também suspeito a falar do livro, porque a infância do Amadeu tem muitos pontos e lugares coincidentes com os meus. Sobretudo na evocação de lugares, em que o livro é riquíssimo, com a cidade do Porto priveligiada. De resto, O Ano da Morte de José Saramago exibe uma vasta geografia, mostrando um país - entre muitas outras coisas - com o leitmotiv das lojas chinesas: Porto, com Alfândega, Cantareira, Lordelo, Foz (velha) Passeio Alegre, Cordoaria, Rua Escura, Miragaia, Guindais, Av. dos Aliados (com a menina nua) etc. e outras paragens, Viseu, naturalmente, pois ele aí tem morado, depois de passar por Lisboa (Tejo) e Almada e referências, algumas via Nuno Dempster, à Irlanda, à Guiné, e ainda à China, Singapura e Bruxelas, Berlim e Nova Iorque (Wall Street), Estocolmo, França, Áfricas... O mérito desta exterioridade localizada é ela apontar para a sua interioridade. Amadeu Baptista vai muito ao fundo de si e toca-nos profundamente. Comove. Porque, mais ou menos, estamos lá todos e porque aquelas particularidades são verdadeiramente universais. Eu continuava por aqui fora, mas vou parar, senão depois não sei como hei-de sair. O melhor é mesmo ler o livro, como dizem aqueles críticos que já não sabem mais o que hão-de dizer.



PS - Alguém sabe o que é o Doce da Teixeira e os rebuçados da Régua? Eu já comi os dois e agora apanhei-os como figurantes nesta valiosíssima obra de Amadeu Baptista.

E não falei dos capões, também mencionados no poema, porque isso poderia ser tomado como provocação.

Sábado, Setembro 25, 2010

O poder de síntese anglo-saxónico















Imagem no London tube
Mind the gap
é «traduzido» no metro de Lisboa por
Atenção ao intervalo entre o cais e o combóio


Quarta-feira, Junho 16, 2010

Os jardins e a literatura
















O jardim inglês é romântico, por excelência. Na liberdade, no modo como aproveita a expressão natural dos elementos. O Jardim Inglês é uma revolução contra os padrões rígidos e simétricos de outros estilos. Valoriza a paisagem natural, com formas curvas e arredondadas, tanto no relevo como nos caminhos, integrando a água e os bosques, as árvores que choram ou escondem almas nocturnas.

É um modo de expressão, de um ver e um sentir próprios de uma época e de vários lugares. Liga-se com as brumas do Norte, por oposição à luminosidade rectilínea do Sul, com certo calor mediterrânico, onde mais facilmente se recortam os templos gregos e latinos.
















O chamado jardim francês é também é conhecido como jardim clássico. É rígido e formal, traduz-se por um geometrismo e simetria perfeita. Anda por Versalhes, por Saint Germain-en-Laye e por muitos outros “châteaux”. São o domínio do homem sobre a natureza, o domínio da racionalidade sobre o crescimento espontâneo, são as Luzes enciclopédicas.

Os jardins e as correntes artísticas andaram sempre de mãos dadas. Sobretudo nas épocas em que eram confortáveis os maniqueísmos. Velhas “Artes Poéticas” associavam o poeta artífice - apolíneo - ao jardim francês, e o poeta inspirado - dionisíaco - ao jardim inglês.



Hoje as coisas são muito diferentes, devido às novas catalogações, e acatalogações, modernas e pós-modernas, onde o nature e o nurture se posiciona de outra maneira.

Talvez se possa dizer que o poeta transpirado é um jardineiro incansável na procura do verso, articulando várias formas de funcionar, articulando o que nasce de dentro com a cerca que delimita muitos jardins.



Nota - Esta mensagem surge na sequência da anterior, a propósito do título do livro* que me remete para estas reflexões. A riqueza de um título, como é o caso, aponta para o conteúdo - aquele jardim interior - ao mesmo tempo que evoca um universo onde se plantam inúmeros campos semânticos.

* Curso Intensivo de Jardinagem, de Margarida Ferra

Domingo, Maio 23, 2010

o livro e a capa



















capa de Luís Henriques


«Qualquer coisa espelha uma outra qualquer,
dois telhados antes do rio»

Margarida Ferra
Curso Intensivo de Jardinagem

Sábado, Maio 22, 2010

FIMFA LX10

Quarta-feira, Maio 19, 2010

O Delphim















Ele é uma marioneta automanipulada.

O Delphim constrói a sua personagem e veste-se à sua maneira, porque sabe que assim é mais fácil interagir e contracenar com os bonecos que ele próprio constrói.

O Delphim usa uns suspensórios vermelhos como se fossem dois fios dos quais está suspenso (não é que ele também não seja manipulador, como somos todos um pouco, sobtretudo com os sentimentos)

O Delphim, às vezes, não se distingue dos bonecos que cria. Que sorte ele teve, quando, em miúdo, o pai o levou a ver os bonecos de Santo Aleixo! Aquilo ficou-lhe na cabeça e no coração. E mais tarde foi-se a eles. Mas se calhar nem era preciso ter visto aqueles bonecos, a bonecada acabaria por sair lá de dentro.

Acabei de ver a sua exposição na Escola Superior de Educação e fiquei cheio de vontade de falar com os bonecos, as suas extensões.

Ele está lá e fala com as pessoas, conta a história dos bonecos e das máscaras, de piolhos gigantes, cabeçudos e reis dorminhocos. Conta a história e as aventuras dos boncecos, como se fossem reais. E as histórias dos materiais, dos que utiliza e dos que já não há.



















Que não lhe faltem bolas de ping-pong e a pasta do papel que desempenha.

Sexta-feira, Maio 14, 2010

UMURO


Domingo, Abril 18, 2010

o sonho do botão azul


video


Vídeo A.Ferra 2010 - desenho com rato sobre fotografia de interruptor.


Trabalho no programa Movie Maker.


Tudo começou pelo descoberta da luminosidade do botão azul. Depois, foi seguir-lhe a pista e desencantar-lhe os sonhos.

Segunda-feira, Abril 12, 2010

extra-catálgo a olhar os retratos















instalação, série retratos, (40x30 cm) AF 2010

Ela está a olhar os retratinhos de três criancinhas, uma menina cor-de-rosa e dois meninos gémeos azuis. É uma senhorinha-boneca de corda, amarela, mas que partiu a corda e tem o olho direito um pouco danificado.
A função dela é incentivar outros olhares para o material reciclado. Mais nada.
Vai estar presente, através de um convite de última hora, na Exposição Ur banismos, e tem o lindo nome de extra-catálogo.

Terça-feira, Abril 06, 2010

O funcionamento de certos livros




















João,
Lá acabei por comprar o livro do figurão do Pacheco. Pelos tais quinze euros, numa dita feira do livro de metro, estação do Saldanha. Ainda lá ficaram quatro ou cinco. Os outros da mesma colecção custavam dois euros e meio. Eles sabem muito, ou sabem aquilo que têm de saber. Mas ainda bem, desta série de escritos tenho os Exercícios de Estilo, Literatura Comestível e Textos Malditos. Também tenho outras coisas, como a Comunidade, e acho mesmo que perdi aquela edição tipo plaquette (plaqueta, como escreve o LP) do Libertino passeia por Braga. Que se lixe, tenho o mesmo texto nos Textos Malditos, da saudosa Afrodite, com belas ilustrações do Henrique Manuel. Esta edição tem piada também pela capa, o autor, André Carrilho, é um belíssimo caricaturista e agora faz uns vídeos muito bem esgalhados.
A propósito disto, lembrei-me agora que, há dias, dizias que muitos livreiros se queixavam dessas vendas a granel que lhes andam a lixar o negócio. É assim o funcionamento, ainda há uns tempos pus no blog uma coisa de Inglaterra, bookshop keepers a queixarem-se das organizações humanitárias (como Oxfam) que os tramavam com o regime second hand. Mas aqui não é a mesma coisa, há mais oportunismo a fazer pela vidinha e, claro, a bolsa do leitor agradece, nas profundíssimas tintas para a moralidade do comércio.
De resto, estou deliciado com a leitura (e releitura), há lá muita coisa que eu não conhecia, tem ensaios críticos fabulosos que vale a pena ler, como "Uma Voz calmante: Natália Correia", "O equívoco do B.-B", "Jorge de Sena em Órbita" ou "Meio Século de Surreal em Portugal", entre muitos outros. Falo destes porque sei alguma coisa do que se passou com o surrealismo por cá.
Bem, fico por aqui, até para a outra semana, que nesta não me dá jeito ir aí na quinta-feira, tenho de ir outra vez ao dentista. Na outra abre a minha exposição Ur Banismos, mas é na terça-feira.
Abraço
AF
PS - Não podia deixar também de te dizer que já faz parte do meu acervo o valiosíssimo volume Luís Pacheco versus Contraponto, espécie de catálogo editado pela D. Quixote e Biblioteca Nacional, em finais de 2009. Uma obrigação para pachecófilos.

Quinta-feira, Março 11, 2010

barbieffects ou barbiefacts

video

Vídeo AF 2010

Li algures que Os ambientalistas da Greenpeace alertaram para as quantidades de produtos químicos perigosos usados no fabrico de brinquedos. Numa análise a 12 artigos para crianças, a boneca Barbie Fashion Fever, à venda em vários países, incluindo Portugal, revelou altos níveis de uma substância que pode afectar o fígado e rins.

Talvez isto esteja a causar danos ao funcionamento do país, a causar cirroses e infecções urinárias, que bloqueiam o pensamento e a acção, sem se distinguir o essencial do acessório

Domingo, Março 07, 2010

Post Scriptum sobre as coexistências















Há uma porção de tempo que andava para captar estas imagens. Estava com algum receio que me deitassem esta casa abaixo antes do tempo.
Há muitos espaços rurais escondidos por ali. Eu tinha alguma reserva em dizer isto, com o medo que mos tirassem. Mas, pensando bem, o melhor é partilhar e correr o risco e o benefício da partilha.

Shell, Colombo e um Hospital da Luz, ao fundo


Coexistências

Horta com um Hospital da Luz, ao fundo


Continente versus Horta

Coexistência em Benfica















Junto ao Continente há um jardim que coexiste com antigos espaços rurais. É interessante, e agrdável, ver como as oliveiras interligam o espaço antigo com a zona nova.

Terça-feira, Fevereiro 16, 2010

Carna val 2010















Má cara
Mas cara Masc ara

A máscara funciona como uma tampa que tapa o que se é, para se fazer de conta que se é outra pessoa ou até animal.
Há a cultura de uma vez por ano uma pessoa incorporar outra coisa, espírito ou pessoa.
Ser outro proporciona a posse do outro.

Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010

funcionamento de um porta-banana






(clique na imagem para ampliar)

O porta-banana é um invólucro próprio para bananas. É de extrema utilidade.
Quem já não ficou com a banana esmagada só porque não tinha nada que a protegesse?
Uma pessoa sai de casa, vai a um party, vai jogar golf ou bridge, e leva uma banana para equilibrar os níveis de potássio. Basta um aperto no metro para danificar a banana.
No caso desta utilidade, o maior problema que surgiu na sua concepção foi a variedade do tamanho e da curvatura das bananas, o que determinava a configuração de um invólucro baseado na banana padrão. E que distância entre a banana-pão e a banana da Madeira!
Infelizmente há ainda várias espécies de fruta que não têm qualquer protecção adequada.
Fonte da imagem: D-Mail http://www.dmail.pt/