quarta-feira, março 29, 2006

o abate a frio

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Estas eram as árvores que periodicamente frequentavam este blog. Davam sombra, traziam o canto de alguns pássaros urbanos, serviam de poleiro para certos melros. Observava-as regularmente, fotografava-as, via como mudavam, via nelas a minha própria mudança.

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Observá-las diariamente era uma coisa boa, como me chegou a dizer a Sara. Nestes bancos, à sombra, se trocaram muitas palavras e afectos. Era uma nesga de verde num limite da cidade, onde qualquer Cesário, verde, deixava vir acima a não-cidade que lhe ia por dentro.

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Hoje abateram-nas.
Porquê, porquê?
Razões de segurança, devido às raízes que levantavam a calçada calcária, penetração insurrecta dos choupos nas profundezas das casas.
E eu que me lixe.
O que me impressionou, também, foi a frieza do encarregado do abate. Que sim senhor, era a Câmara a mandar, plantavam-se outras, era só esperar mais trinta anos, o choupo não prestava para aqui.
E eu a fazer contas, a ver se ainda ia viver mais trinta anos.
Ou a contar os dias com árvores, ainda.

6 Comentários:

Às 11:37 PM , Blogger Ultraperiférico disse...

As casas e os passeios crescem depressa. As árvores não. É certo que ás vezes as malandras não gostam de betão, ao contrário dos extraordinários técnicos camarários que se pudessem betonizavam o mundo inteiro.
Saudações ultraperiféricas.

 
Às 12:53 AM , Blogger Maria Celeste Ramos disse...

Porquê espantarmo-nos com os técnicos (funcionários) camarários que usam o serrote e não reagem ao que lhes é perguntado, em vez de nos espantarmos, isso sim, com os técnicos superiores, e universitários, do pelouro do urbanismo + do ambiente + dos jardins + , sobretudo, do responsável máximo, e primeiro, o presidente da autarquia, que tem sempre, e em tudo, a última palavra - ou não terá ??
Ou, cada município, é apenas um local que dá emprego a muita gente e a vários níveis de saberes e de responsabilidades, mas não dá, de facto, responsabilidade a nenhum nível ??

 
Às 9:07 AM , Blogger Sara Figueiredo Costa disse...

Uma vez assisti ao processo de abate de uma série de árvores e lembro-me de pensar que era como se estivesse assistir a uma espécie de mutilação da cidade, como se alguém estivesse a arrancar pedaços do corpo da cidade sem se preocupar muito com isso. É uma imagem muito feia. E a que fica depois ainda mais, como vemos na fotografia.

 
Às 12:14 PM , Blogger Roteia disse...

Betonizar, betonizar, betonizar. Dá lucro, lucro, lucro.

 
Às 1:43 PM , Blogger maria joao martins disse...

Triste país em que vivemos.

 
Às 8:46 PM , Blogger Margarida F. disse...

Se ao menos tivessem sido avisados, podiam sempre fazer com a Beatriz, de «A Beatriz e o Plátano», da Ilse Losa. Marcou a minha infância, a determinação da rapariga que passa à noite junto da árvore em frente à sua casa, a fim de evitar o seu abatimento no dia seguinte. E consegue.

 

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