quarta-feira, outubro 26, 2005

a dança das cadeiras

Fidalgo: (…)
Venha a prancha e o atavio;
Levai-me desta ribeira.

Anjo:
Nam vindes vós de maneira
pêra entrar neste navio.
Ess’ outro vai mais vazio,
a cadeira entrará,
e o rabo caberá
e todo o vosso senhorio.

Gil Vicente, "Barca do Inferno"



Pela Idade Média, e mais ainda para a frente, ter um cadeira era sinal de prestígio. Nem todas as classes tinham acesso à cadeira. Na "Barca do Inferno" o Fidalgo fica a saber que poderá levar a cadeira com ele na embarcação para o inferno.
Hoje, cadeiras há muitas, assim como cátedras, palavra-mãe de cadeira(s). A produção e reprodução do plástico permitiu a sua acumulação e desvalorização.
E fica o ritual do empilhamento das cadeiras, quando restaurantes, cafés e pastelarias fecham até ao dia seguinte.
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2 Comentários:

Às 10:57 PM , Blogger Tiago Alves disse...

É verdade antónio: hoje, cadeiras há muitas. Hoje em todo o lado nos sentamos, e não é preciso ser fidalgo para usurfruir de tal luxo.
Mas não comparemos o plástico que agora as envolve com a madeira que antes as criava.
Podemos ter então mais gente sentada, mas temos menos gente bem sentada. Todos os dias, quando saio do barco com dores nas costas penso algo semelhante, enquanto indago quem terão sido os engenhocas que moldaram aquelas coisas..

 
Às 12:16 PM , Blogger Sara Figueiredo Costa disse...

E ainda há os cafés que as prendem umas às outras com correntes, já depois de empilhadas. Não vão elas usar as quatro pernas para fugir...

 

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