domingo, abril 23, 2006

Anti Grafitti System

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Hoje encontrei na minha rua a Anti Graffiti System. A empresa parece subsistir, com estrutura montada, utilizando uma carrinha com o letreiro pintado, Anti Graffiti System, na frente, sobre o pára-brisas, ou na parte lateral, em português, Manutenção Anti-graffit (transcrevo o que leio). É uma brigada que limpa paredes para que os prédios recuperem a pureza original, em vez exibirem a marca transgressora dos que espalham sonhos e pequenas ou grandes revoltas nas paredes,


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com cores e traços mais ou menos canónicos, na inversão de lettering de ângulos e curvas criativas.


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E eles, os da AGS, subsistem na limpeza a jacto, vivendo à custa de grafiteiros que lhes pintam o salário pela cidade.


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É inevitável não pensar no garoto de Charlot, que partia vidros para que, em seguida, o Charlot vidraceiro os colocasse de novo.


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5 Comentários:

Às 11:18 AM , Blogger Roteia disse...

Infelizmente, caro António Ferra, a maioria dos graffitis não são feitos por revolta ou desejo de comunicar. Apenas motivos fúteis, ou pura selvejaria que se arvora em movimento de cultura urbana. Logo que um edifício esteja recuperado a malta passa bué e deixa as suas marcas de evidência, asssim como bichos que marcam o território com urina e fezes.
Paredes degradadas não interessam à malta. Um tapumesito, se estiver em bom estado, já serve. E quando a malta já for entradota, não é má ideia, funda-se uma alta empresa para limpar graffitis.
Uma geração que nem para transgredir presta torna preocupante o futuro. Mas felizmente, a coisa não se pode generalizar a uma geração inteira.
Saudações ultraperiféricas.

 
Às 3:03 PM , Blogger Carpinteiro disse...

Caro António Ferra,

Faz de facto lembrar o filme de Charlot - é um círculo algo irónico e, para além de causas ou consequências, um produto da nossa sociedade urbana e desigual, mais, ou menos, periférica.

Aproveito para agradecer o seu comentário e referência ao [feel:_____THAT] no seu blog.

 
Às 10:36 AM , Blogger Tiago Alves disse...

Concordo com o roteia, em alguns pontos. Os graffitis, em sentido lato, servem para ambas as coisas. Para comunicar e para destruir. Mas talvez fosse bom começar a usar o termo graffiti apenas para aquilo que realmente o é: os desenhos que embelezam verdadeiramente algumas paredes. O resto, os tags, as assinaturas, ou as mensgaens gratuitas, essas sim deviam ser mais marginalizadas.

 
Às 10:59 AM , Blogger António Ferra disse...

há gafittis de muita qualidade. Talvez há cerca de 5 anos tive um aluno que fazia grafitti a sério. Explicou-me bem os processos técnicos e éticos desta manifestação, mostrou-me a identidade de certos famosos nesta área, principalmente na zona do Marquês de Pombal - Amoreiras e Benfica. Acabei por compreender que "isto" não é só depejar raivas e sujar paredes. Concordo, em parte, com o comentário do Tiago «talvez fosse bom começar a usar o termo graffiti apenas para aquilo que realmente o é: os desenhos que embelezam verdadeiramente algumas paredes.» Mas a necessidade de um espaço transgressor é que nos baralha. Se se tirar um certo toque de transgressão do grafitti, mesmo do "académico", ele é apenas beleza por beleza e falta-lhe o resto.

 
Às 5:40 PM , Blogger Pedro Neves disse...

Mas vale tarde que nunca...
No meu percurso de vida desenvolvi juntamente com mais uma vintena de pioneiros as primeiras manifestações deste genero de expressão com lata de aerosol, mais tarde parei de praticar e passei por um trilho academico o qual ainda desenvolvo sobre a matéria, efectivamente uma das razões que me fez parar à já 8 anos foi a comercialização não só dos agentes anti graffiti assim como os pro graffiti. É necessário estar atento pois não só de latas de spray pode ser feita a expressão, campos onde o meio da arte que financia vidas incognitas (como banksy por exemplo) continua a ser vergonhoso, temos que pensar melhor sobre o que nos rodeia...

 

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