sábado, dezembro 27, 2008

o funcionamento de certos canivetes


plurifuncionalidade vaidosa e exuberante do canivete suiço

Um tio meu tinha um canivete pequenino de dois gumes, que tirava constantemente do bolso para a mais variadas situações. Tudo parecia resolver-se com aquele canivete, já nem me lembro o quê – abrir uma caixa, raspar uma mancha, cortar uma rolha, fazer um furinho para qualquer coisa. Ele era guarda-livros e fazia as folhas da contabilidade à mão. Servia-lhe também de raspadeira para rasurar as palavras gravadas a tinta permanente.
O canivete funciona como uma extensão da mão, como funcionam as ferramentas todas. Fazem aquilo que o melhor instrumento não consegue, ainda que comandados por essa mesma mão.
Eu tenho vários canivetes, que infelizmente - ou não - acabam por se tornar também em verdadeiros amuletos. Quando se perdem é uma tristeza irreparável, ainda que a funcionalidade possa ser substituída. Apenas a funcionalidade.

Gosto de os afiar, para além da lâmina afiada que já trazem.
Não me interessam os canivetes suíços, embora os respeite pela plurifuncionalidade, às vezes vaidosa e exuberante. Agora até fabricaram canivetes suíços com a função de leitor de mp 3
Nem me interessam canivetes de dupla lâmina ou do tipo borboleta, os célebres "butterflies". Interessam-me mais as histórias à volta dos canivetes.
Reproduzo a imagem de dois canivetes que utilizo, um no bolso - o canivete velho -,








outro de uma grande elegância que deixo sempre em casa:



















(este nem sequer o afio para não lhe desvirtuar a beleza da lâmina)

E há outros canivetes que funcionam como objectos históricos, como este que era do meu pai, de quem herdei o nome.






1 Comentários:

Às 11:49 PM , Blogger Júlio Pêgo disse...

Esta ideia do canivete multiusos vai certamente ser aproveitada pela propagaganda médica.Ainda há pouco recebi um divulgando um medicamento... Já recebi uma "pen"... agora é só juntar.

 

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